O uso de esteroides anabolizantes androgênicos (EAAs) para fins estéticos ou de alta performance física cresceu significativamente nos últimos anos. No entanto, quando um paciente que utiliza essas substâncias precisa passar por uma cirurgia ou procedimento com sedação, surge uma questão crítica que muitos preferem evitar por vergonha ou medo de julgamento.
A verdade é direta: o uso de anabolizantes altera o funcionamento do seu corpo de maneira profunda e exige um planejamento anestésico sob medida. A hesitação em revelar o uso dessas substâncias ao médico é compreensível, mas a transparência é o único caminho para garantir um procedimento seguro e com risco zero.
Os esteróides anabolizantes não aumentam apenas a massa muscular estriada; eles causam impactos sistêmicos que afetam diretamente os órgãos regulados pelo anestesiologista durante a cirurgia.
- Alterações cardiovasculares e hipertensão: O uso de anabolizantes pode provocar o espessamento das paredes do coração (hipertrofia ventricular) e elevar bruscamente a pressão arterial. Durante a anestesia, um coração sob estresse crônico responde de forma mais imprevisível a oscilações de pressão e fármacos anestésicos, aumentando o risco de arritmias.
- Aumento da viscosidade sanguínea: Essas substâncias estimulam a produção excessiva de glóbulos vermelhos, deixando o sangue “mais grosso”. Isso eleva consideravelmente o risco de formação de coágulos e eventos trombóticos (como trombose venosa profunda e embolia) no período pós-operatório.
- Sobrecarga hepática e renal: Como a maioria dos fármacos e anestésicos é metabolizada no fígado e excretada pelos rins, a sobrecarga prévia provocada pelos anabolizantes altera a velocidade com que o organismo elimina a anestesia.
Além do aspecto cardiovascular, o uso contínuo de hormônios sintéticos e moduladores pode alterar a sensibilidade dos receptores no sistema nervoso central. Na prática, pacientes que fazem uso de anabolizantes muitas vezes necessitam de um reajuste nas doses das medicações analgésicas e anestésicas para atingir o nível correto de sedação e controle da dor.
Sem a informação de que o paciente utiliza essas substâncias, o médico anestesiologista pode ser surpreendido por uma resposta alterada aos medicamentos, o que dificulta a manutenção do plano anestésico e prejudica a entrega de um despertar suave e livre de dores ou agitação.
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O maior erro que um paciente pode cometer é ocultar o uso de esteroides por medo de receber uma advertência ou ter a cirurgia cancelada. O anestesiologista não está ali para emitir pareceres morais sobre o seu estilo de vida ou escolhas estéticas.
O objetivo da consulta pré-anestésica é puramente protetivo: mapear as alterações do seu organismo, solicitar exames específicos (como coagulograma e avaliação da função hepática) e desenhar uma estratégia que proteja o seu coração, a sua circulação e a sua respiração a cada segundo do procedimento.
Anestesiologistas em Caxias do Sul
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